Em uma análise contundente sobre o papel do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enfatizou que a integridade das eleições de 2026 foi garantida pelo colegiado do TSE, sem mencionar diretamente o presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques. Mendes afirmou que a condução do órgão deveria refletir uma postura imparcial, conforme delineado pela Constituição.
O papel do TSE nas eleições de 2026
Segundo o ministro, a eleição recente confirmou a premissa de que as instituições são mais relevantes do que os indivíduos que as compõem. “As eleições de 2026 evidenciaram a correção da antiga lição de que as instituições de Estado são maiores do que os membros que as ocupam”, escreveu em suas redes sociais, reforçando que a disputa se deu dentro dos parâmetros democráticos estabelecidos.
Críticas à condução do TSE
Entretanto, Mendes alertou para a necessidade de que a institucionalidade não deva ser resgatada a cada pleito. Ele destacou que “de quem está na condução do órgão que organiza o pleito espera-se a postura de árbitro equidistante que a Constituição pressupõe”. O ministro também frisou que hesitações e silêncios não são neutros e podem levar a decisões contraditórias, criando espaço para críticas ao sistema eleitoral.
Intervenções e controvérsias nas eleições
A eleição de 2026 foi marcada por intensas trocas de acusações entre as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL). Os apoiadores de Lula criticaram a condução do TSE sob Nunes Marques e André Mendonça, vice do tribunal, enquanto os aliados de Bolsonaro acusaram o STF de interferir em questões eleitorais. Um episódio notável ocorreu quando o ministro Cristiano Zanin determinou a prorrogação da votação em duas horas, após pedidos das campanhas não serem atendidos a tempo. Essa decisão gerou confusão, pois a maioria das urnas já estava fechada.
Consequências da prorrogação
A prorrogação da votação foi explorada por Flávio Bolsonaro em uma carta de teor golpista, redigida após sua saída do país, como forma de contestar os resultados eleitorais. Apesar da controvérsia, a decisão não impactou o resultado final, uma vez que apenas 34,7 mil votos foram contabilizados após o horário normal de encerramento, número inferior ao registrado em 2022.
Em suma, Mendes concluiu que, embora a colegialidade tenha cumprido seu papel fundamental, a solidez do processo eleitoral não deve depender exclusivamente da força do TSE, enfatizando a importância da estabilidade institucional.







