Um grupo de 25 deputados americanos, predominantemente do Partido Democrata, protocolou uma carta ao Departamento de Estado, liderado pelo secretário Marco Rubio, buscando esclarecimentos sobre a suposta assistência do governo de Donald Trump na fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos. O documento, enviado na última quinta-feira (29), destaca a preocupação dos parlamentares com a utilização de recursos diplomáticos em circunstâncias questionáveis.
Demandas de esclarecimento
Os deputados querem saber se o Departamento de Estado estava ciente do plano de fuga de Flávio e se houve qualquer envolvimento do órgão na operação. O pedido surge após uma reportagem do The New York Times, que revelou que o jato que transportou o senador da Argentina para os EUA foi organizado por Jason Miller, um conselheiro próximo ao ex-presidente Trump. O senador deixou o Brasil após a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou a apreensão de seus passaportes e a proibição de saída do país. Ignorando a ordem, ele saiu do Brasil com sua família e aterrissou na Flórida na manhã de quarta-feira (28).
Investigações e diplomacia
A carta também questiona se o governo dos Estados Unidos tinha conhecimento das investigações em andamento contra Flávio Bolsonaro no Brasil. Os parlamentares levantam a possibilidade de que a fuga tenha impactos nas relações diplomáticas entre Brasil e EUA e solicitam uma avaliação sobre esse aspecto por parte da administração federal. “O povo americano e o Congresso têm um interesse legítimo em entender se recursos diplomáticos e de imigração dos Estados Unidos foram utilizados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira nessas circunstâncias”, afirma um trecho do documento, que contém 15 perguntas.
Prazo para resposta
O Departamento de Estado terá um prazo de duas semanas para responder ao ofício, com a data limite sendo 13 de novembro. Os deputados enfatizaram a importância da transparência, especialmente quando os eventos envolvem processos judiciais de outros países e questões sensíveis nas relações bilaterais.
Após sua chegada aos EUA, Flávio Bolsonaro e seus apoiadores emitiram um comunicado em que ele se autodenominou “presidente eleito” do Brasil, alegando fraude nas eleições sem apresentar evidências concretas. A Justiça Eleitoral, membros de sua campanha e o próprio PL não corroboraram as alegações de fraude. Após receber críticas, Flávio alterou o título de “presidente eleito” para “líder do Brasil”.
A situação levanta questões importantes sobre o papel dos EUA em situações de crise política em outros países e as repercussões que essas ações podem ter nas relações internacionais.







