O XXVII Eco-Festival do Peixe-Boi, que acontece em Novo Airão, Amazonas, de 30 de setembro a 1º de outubro, destaca a rica cultura amazônica, especialmente a herança dos povos indígenas. Neste ano, as mulheres da etnia Baré assumem um papel central, mostrando que a valorização da cultura indígena está intrinsecamente ligada à preservação da floresta.
Protagonismo feminino em destaque
Geyse Baré e Cassiane Lima são as novas vozes que representam a etnia Baré na competição. Geyse, que estreia como Deusa da Canção do Peixe-Boi Anavilhanas, e Cassiane, como Porta-Estandarte do Peixe-Boi Jaú, simbolizam a luta e a determinação das mulheres indígenas. Ambas buscam transformar suas apresentações em um reflexo de sua cultura e ancestralidade.
Geyse Baré expressa a importância de seu papel: “Representar a cultura do meu povo e levar essa voz pro mundo é muito maravilhoso. Acredito que a minha força, a minha garra e a minha coragem, a partir das vivências que eu já tive como mulher indígena, lutando pela sobrevivência do meu povo, vai me influenciar muito na minha apresentação. Ser determinada e ter garra, que os povos indígenas têm, está me ajudando muito, porque todos sabem que ser indígena não é fácil.”
Uma conexão com a ancestralidade
Cassiane Lima, que faz sua estreia como porta-estandarte, enfatiza que sua ancestralidade é um legado que deve ser honrado e perpetuado. Para ela, o papel que desempenha vai além de uma simples função na celebração: “Defender o estandarte do Jaú na arena não é apenas um papel coreográfico ou festivo, é um ato de representatividade. Pretendo entrar naquela arena com a força de todas as mulheres que vieram antes de mim. Transformando a nossa história em dança, garra e orgulho.”
Ambas as artistas têm raízes profundas na cultura popular de Novo Airão, tendo consolidado suas trajetórias em grupos que mantêm vivas as tradições locais. Geyse fez parte do Bailado Verde e Branco, enquanto Cassiane atuou como item substituta do Jaú, experiências que enriqueceram suas expressões artísticas.
Vivências que moldam artistas
O comprometimento e a vivência na cultura local foram cruciais para que Geyse e Cassiane chegassem a esse momento de destaque. “Minha caminhada dentro da agremiação é o que dá alma a minha apresentação hoje. Ter vivido o peixe-boi, sentindo a pulsação da nossa Batucada e defendido a nossa Fauna e Flora, não foram apenas etapas, foram a minha escolha. Essa vivência me trouxe maturidade artística e, acima de tudo, um respeito profundo pela nossa identidade”, afirma Cassiane.
Geyse complementa que, ao vestir a camisa da sua agremiação, carrega consigo a história de seu povo: “Levo minha avó, minha mãe, minhas tias, todas aquelas mulheres que me ensinaram que trançaram meu cabelo com tucunã e me ensinaram a ser indígena, a ter orgulho da minha história.”
A luta e a resistência na arena
Durante o festival, a Lagoa do Peixe-Boi se transforma em um palco de celebração da cultura e da identidade indígena. As participantes, unidas por um objetivo comum de defesa ambiental, trazem à tona suas histórias e memórias. “Quando eu entro na arena como porta estandarte, eu não carrego apenas um pavilhão, eu carrego a história de cada um que faz o nosso bloco acontecer”, ressalta Cassiane.
Geyse também destaca a importância da canção que representa seu povo: “Eu não vou cantar sobre o rio, eu vou cantar com o rio”, enfatizando que o protagonismo feminino indígena é uma expressão de luta e resistência, refletindo a riqueza da Amazônia.
A presença dessas mulheres no festival não apenas celebra a cultura Baré, mas também fortalece a voz dos povos indígenas, reafirmando sua importância na preservação do meio ambiente e na luta pela valorização de suas tradições.







