Em um cenário preocupante, as assembleias legislativas da Amazônia se preparam para uma drástica redução na representação feminina a partir de 2027, reforçando um padrão histórico de desigualdade de gênero. Apesar de as mulheres constituírem a maioria da população nos estados amazônicos, suas vozes e interesses continuam sub-representados.
Queda na Representação Feminina
Com as mudanças nas bancadas após as eleições de 2026, três assembleias legislativas da região registrarão uma diminuição no número de deputadas. O Acre, em particular, apresenta a situação mais alarmante, onde a representação feminina cairá de três para zero, resultando em um parlamento exclusivamente masculino. No Amazonas, a quantidade de deputadas descerá de cinco para duas, representando apenas 8,3% do total de cadeiras. Rondônia também segue essa tendência, com a presença feminina reduzida de 20,8% para 12,5%.
Condições de Permanência e Desigualdade Estrutural
A luta das mulheres por mais espaço nos espaços de decisão política é um fenômeno histórico no Brasil. A diminuição no número de cadeiras ocupadas por mulheres levanta alertas sobre o retrocesso na defesa de questões sociais, particularmente as que envolvem gênero. A cientista social Paula Ramos, da Universidade Federal do Amazonas, destaca que as estruturas patriarcais dificultam a aprovação de leis que atendam ao interesse feminino, refletindo uma subvalorização crônica das mulheres na política.
Ramos ressalta que, embora algumas deputadas se dediquem a pautas femininas, muitas vezes essas propostas não se traduzem em legislações efetivas. A cientista política Verrah Chamma complementa que o patriarcado e o machismo continuam a criar barreiras significativas para a ascensão feminina em postos de poder.
O Impacto da Violência e da Representação
A realidade no Acre é alarmante, com altas taxas de violência contra mulheres, incluindo 14 feminicídios registrados em 2025. O cientista político Ermicio Sena, da Universidade Federal do Acre, considera o desaparecimento das mulheres do parlamento como um “retrocesso”. Ele argumenta que, em uma sociedade onde quase metade da população é feminina, a ausência total de mulheres em um corpo legislativo é inaceitável.
Sena aponta que a falta de diversidade no parlamento limita a formulação de políticas públicas que atendam a todas as camadas da sociedade, especialmente em um estado com altas taxas de violência contra mulheres. Ele afirma que a estrutura do sistema eleitoral e a distribuição de recursos são fatores que dificultam a ascensão de candidaturas femininas.
Reflexões Finais
A diminuição da presença feminina nas assembleias da Amazônia não apenas revela um retrocesso em termos de representação, mas também aponta para a necessidade urgente de reformulações nas práticas políticas e eleitorais. A falta de vozes femininas na política compromete a pluralidade e a efetividade das legislações que impactam diretamente a vida das mulheres, especialmente em um contexto de desigualdade social e violência. A luta pela representatividade continua sendo essencial para construir um ambiente democrático mais justo e inclusivo.







