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Estudantes ocupam Assembleia Legislativa do Amazonas em protesto

Mobilização ocorre após suspensão do Passe Livre Estudantil em Manaus, afetando o acesso à educação.

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Estudantes ocupam Assembleia Legislativa do AM após suspensão do Passe Livre em Manaus

Na quarta-feira (4), estudantes tomaram a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) como parte de um protesto contra a suspensão das recargas do Passe Livre Estudantil, um benefício essencial para alunos da rede estadual em Manaus, de acordo com a União Estadual dos Estudantes do Amazonas (UEE).

Motivos da ocupação

A ação dos estudantes ocorre logo após o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) anunciar a interrupção do benefício, citando um impasse financeiro entre as empresas de transporte e o Governo do Amazonas, relacionado a dívidas que já se acumulam desde 2025. O governo argumenta que a questão está sendo debatida na Justiça e que o sindicato apresentou valores diferentes dos acordados em contrato.

A suspensão do Passe Livre foi comunicada aos estudantes pelo aplicativo “Cadê Meu Ônibus”. Os manifestantes expressam que a gratuidade no transporte é crucial para garantir que todos tenham acesso às instituições de ensino. Eles enfatizam que “não vamos aceitar que retirem um direito tão fundamental para a juventude amazonense”.

Participação e reivindicações

O protesto conta com a participação da UEE, da União dos Estudantes Secundaristas do Amazonas (UESA) e da União Nacional dos Estudantes (UNE). Segundo Talita Duarte, presidente da UEE, a ocupação tem como objetivo pressionar os parlamentares para que possam dialogar diretamente com o Sinetram e o governador sobre a situação. Ela destacou a gravidade do problema, afirmando que “tem famílias hoje que, ou compram a passagem, ou compram o pão de manhã”.

Além da volta do Passe Livre, os manifestantes estão exigindo a fiscalização dos recursos destinados à merenda escolar e a implementação de um Plano Estadual de Assistência Estudantil. Essas demandas constam em uma carta aberta que será enviada ao Ministério da Educação, à Aleam e ao governo do Estado. A mobilização deverá continuar até que haja uma resposta concreta das autoridades.

Negociações em andamento

De acordo com informações da Rede Amazônica, o presidente da Aleam, deputado Adjuto Afonso, já se reuniu com os estudantes e planeja convocar tanto o Estado quanto o Sinetram para uma reunião na quinta-feira (5).

Dificuldades enfrentadas pelos estudantes

Desde a suspensão das recargas do Passe Livre, muitos estudantes relatam dificuldades para se deslocar até as escolas. Alguns têm recorrido ao uso de recursos próprios para pagar as passagens, enquanto outros estão buscando caronas ou, em casos extremos, faltando às aulas devido à falta de transporte.

O Sinetram defende que as empresas não conseguem arcar com os custos das passagens sem o repasse dos valores devidos pelo Governo do Amazonas. Em contrapartida, o governo afirma que está em dia com os pagamentos de 2026 e que a cobrança atual envolve valores de 2025, cuja situação está sendo discutida judicialmente.

Entendendo o impasse financeiro

Em uma audiência realizada em 26 de outubro, o Sinetram reiterou a impossibilidade de continuar custeando as passagens sem o recebimento dos valores devidos. O Governo do Amazonas mencionou que já transferiu mais de R$ 27 milhões ao Sinetram neste ano, incluindo um pagamento recente de R$ 3 milhões em 23 de outubro.

O Estado questiona uma cobrança de aproximadamente R$ 250 milhões referente aos serviços do primeiro semestre de 2025, argumentando que os custos apresentados não foram devidamente comprovados. Com a suspensão, os alunos da rede estadual não podem mais receber novos créditos no Passe Livre, mas aqueles que já possuem saldo podem continuar utilizando os créditos disponíveis.

A situação destaca a importância da mobilização estudantil na busca por soluções e melhorias no acesso à educação em Manaus.

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