O deputado italiano Angelo Bonelli, membro do partido Europa Verde, protocolou um pedido de investigação junto aos ministérios das Relações Exteriores e do Interior da Itália, com foco na possível concessão de cidadania italiana aos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio, Eduardo e Carlos.
Tratamento privilegiado?
Bonelli questiona se os irmãos Bolsonaro receberam um tratamento especial durante o processo de obtenção da cidadania. Registros migratórios na Argentina indicam que Flávio utilizou um passaporte italiano ao entrar no país vizinho antes de seguir para os Estados Unidos, com uma parada no Equador. O deputado ressaltou que Flávio e Eduardo solicitaram a inclusão na lista de espera da Embaixada da Itália em Brasília em 2020.
Desdobramentos após as eleições
Segundo Bonelli, após o segundo turno das eleições presidenciais em 8 de novembro de 2022, onde Jair Bolsonaro foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva, os irmãos compareceram pessoalmente à embaixada italiana para verificar o andamento do processo. Naquele momento, as convocações eram direcionadas a pessoas que haviam se inscrito em 2018. Contudo, em 2023, tanto Flávio quanto Eduardo conseguiram a cidadania italiana.
Carlos, por sua vez, obteve a cidadania em 2024. Bonelli destacou que, em várias repartições consulares no Brasil, o tempo de espera pode ultrapassar dez anos, obrigando muitos solicitantes a recorrerem à Justiça. Ele denunciou uma “hipocrisia insuportável”, apontando que, enquanto milhares de descendentes de italianos enfrentam longas esperas, os aliados políticos do partido Liga, liderado por Matteo Salvini, têm acesso facilitado ao processo.
Base legal e comparações
A cidadania da família Bolsonaro foi concedida com base no princípio do jus sanguinis, que permite a aquisição de nacionalidade por descendência. Segundo informações, a família apresentou a ascendência de um bisavô de Jair, originário da região do Vêneto. Bonelli também mencionou a ex-deputada federal Carla Zambelli, que possui cidadania italiana e foi condenada a dez anos de prisão no Brasil, mas conseguiu deixar o país antes de ser detida. Ele enfatizou que a Itália não deve se tornar um abrigo para aqueles que precisam enfrentar a Justiça em seus países de origem.
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na noite de 27 de outubro, logo após a derrota nas eleições, onde Lula recebeu 51,79% dos votos contra 48,21% de Flávio. Nos Estados Unidos, ele publicou uma carta polêmica, na qual se autodeclara “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, e posteriormente alterou o texto, referindo-se a si mesmo como “o líder do Brasil”. Essa situação levanta questões sobre a responsabilidade política e ética de figuras públicas em contextos internacionais.







