Nos últimos cinco meses, a cidade de Manaus passou por uma transformação significativa em sua paisagem, resultado das variações nos níveis dos rios. Entre junho e novembro de 2026, as enchentes deram lugar a solos expostos, bancos de areia e uma crescente preocupação com a poluição, conforme evidenciado por registros recentes.
Mudanças visíveis em locais estratégicos
Um dos locais que ilustra essa transição é a Marina do Davi, localizada na Zona Oeste da cidade. Durante a cheia, a marina servia como um ponto vibrante de embarque e desembarque para moradores e visitantes das comunidades ribeirinhas. Agora, as estruturas flutuantes que antes estavam ancoradas na água se encontraram fixas no solo, dificultando a locomoção para aqueles que dependem do transporte fluvial.
Alterações na área portuária
A transformação é igualmente marcante na área portuária de Manaus. No Mirante Lúcia Almeida, imagens capturadas em junho mostravam uma vasta extensão de água. Com a diminuição do nível do Rio Negro, agora surgem áreas secas, revelando um novo cenário, que inclui acúmulo de lixo nas margens do rio.
Impactos diretos na vida dos moradores
A moradora Maíra Oliveira, residente da Marina do Davi, compartilhou como a vazante afeta a rotina local. Ela mencionou as dificuldades enfrentadas por quem vive nas proximidades: “Tem sido bastante difícil por causa da vazante. Os flutuantes ficam todos na terra e isso dificulta muito a locomoção. Também tem a questão de quem sai para trabalhar.” A queda no nível da água também impacta o abastecimento, com riscos de os poços secarem, uma preocupação crescente entre os moradores.
Acúmulo de resíduos e ações comunitárias
O acúmulo de lixo nas margens e igarapés é outro problema sério. Maíra destacou que, embora a quantidade de resíduos durante a seca deste ano tenha sido menor em comparação a anos anteriores, a situação ainda exige atenção. “Quando chove, vem bastante lixo. Mas, nesta seca, não veio tanto quanto no ano passado”, afirmou, ressaltando o esforço comunitário para a limpeza da área.
Demandas por melhorias na infraestrutura
A moradora também pediu mais atenção do governo para a infraestrutura da região, especialmente a necessidade de novas pontes que conectem as comunidades. “Eu queria que o poder público olhasse mais para a gente. Conseguimos um poço depois de muita luta, porque dependemos de água para beber”, disse, ressaltando a importância de melhorias no acesso e abastecimento.
Consequências da estiagem no estado
De acordo com o último boletim do Governo do Amazonas, mais de 129,7 mil pessoas já foram afetadas pela estiagem no estado. A Defesa Civil identificou 47 municípios em situação de emergência, incluindo Manaus e outras cidades da região. As ações de assistência emergencial já incluem a distribuição de cestas básicas, kits de limpeza e reservatórios de água.
Recentemente, o governo decretou emergência em saúde pública por 180 dias devido à grave estiagem, considerando o isolamento de comunidades e as dificuldades de acesso a serviços essenciais. O levantamento preliminar apontou 562 comunidades afetadas, complicando o transporte de pacientes e o fornecimento de medicamentos.
Com essa situação, a paisagem de Manaus não apenas muda fisicamente, mas também reflete os desafios enfrentados por seus habitantes em um ciclo de cheia e seca que impacta a vida cotidiana.







