Com a expectativa de que o nível do Rio Negro comece a subir na segunda quinzena de novembro, as consequências da seca de 2023 foram atenuadas e não afetaram significativamente o Polo Industrial de Manaus (PIM) nem o comércio local. A experiência adquirida em anos anteriores permitiu que o setor industrial e comercial se preparassem adequadamente para os desafios climáticos deste ano.
Reunião do Codam e estratégias adotadas
As informações foram compartilhadas durante a 322ª reunião ordinária do Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam), liderada pelo governador Roberto Cidade. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas, Gustavo Igrejas, destacou que, até o momento, a estiagem não teve um grande impacto na produção do Polo Industrial.
Igrejas observou que a situação do Rio Negro, que não atingiu os níveis críticos esperados, contribuiu para essa estabilidade. Ele alertou, no entanto, que a preocupação se concentra no ano seguinte, quando o fenômeno El Niño pode trazer uma cheia moderada, seguida de uma estiagem severa.
Fatores de resiliência no setor industrial
O secretário atribui a resiliência do setor industrial a lições aprendidas em 2023 e 2024, que estão sendo aplicadas em 2026. Ele lembrou que, no ano passado, a produção na Zona Franca precisou ser interrompida por 50 dias devido à seca, mas em 2024 essa paralisação não ocorreu, mesmo em face de uma estiagem mais intensa.
Igrejas enfatizou a necessidade de preparação contínua, já que eventos climáticos extremos estão se tornando cada vez mais frequentes. Ele mencionou que as maiores cheias e secas registradas no Rio Negro ocorreram neste século, o que reforça a urgência de estratégias eficazes para lidar com essas situações.
Indústria e comércio adaptados à seca
Nelson Azevedo, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), ressaltou que as indústrias se adaptaram melhor este ano, refletindo no funcionamento pleno das fábricas. Segundo ele, “está todo mundo trabalhando” e não se observou impacto significativo nas operações industriais.
Azevedo também mencionou que as indústrias têm monitorado de perto os riscos potenciais e que a colaboração com as autoridades está ajudando a mitigar possíveis problemas. Ele afirmou que não há dúvidas de que o setor se preparou adequadamente para enfrentar a estiagem.
Comércio organizado e sem desabastecimento
Bruno Loureiro Pinheiro, presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), apontou que, até o momento, o comércio local não enfrenta problemas de desabastecimento ou aumentos de preços. Ele creditou essa situação à antecipação de estoques por parte dos empresários, em resposta a alertas da Defesa Civil sobre a possibilidade de uma estiagem severa.
Além disso, Pinheiro elogiou o trabalho conjunto com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para lidar com a taxa de pouca água, que não foi cobrada no ano passado e, até setembro deste ano, também não foi aplicada. Ele acredita que a organização do setor produtivo contribuiu para uma situação mais tranquila em comparação aos anos anteriores.
Novos projetos e geração de empregos no Amazonas
Na mesma reunião do Codam, 63 novos projetos industriais foram aprovados para a Zona Franca de Manaus, totalizando 277 propostas em 2026. O governador Roberto Cidade destacou que essa aprovação pode gerar mais de 2 mil postos de trabalho e que o estado está registrando um aumento histórico na geração de emprego, com mais de 135 mil novas vagas neste ano.
Cidade ressaltou a importância desse crescimento para a economia local e a preservação ambiental, afirmando que o apoio do governo é fundamental para atrair mais investimentos para o Amazonas. A expectativa é que 2026 supere 2025, que foi o melhor ano até agora em termos de projetos aprovados.







