O peixe-boi Jaú, com suas cores verde e preto, está em busca de seu décimo segundo título no XXVII Eco Festival do Peixe-Boi, que ocorre entre os dias 30 de outubro e 1º de novembro em Novo Airão, município localizado a 200 quilômetros de Manaus. O tema deste ano, “Elo”, destaca a ligação entre o homem e a natureza e busca reconquistar a vitória.
Reflexão sobre a conexão entre homem e natureza
Em entrevista, Miguel Alfaia, integrante do Conselho de Arte do Peixe-Boi Jaú, comentou que a escolha do tema se alinha à proposta do Eco-Festival de promover a cultura e a preservação ambiental. Ele enfatizou que o tema reflete a realidade de Novo Airão, que mantém 85% de seu território preservado.
Alfaia observou que o conceito de “Elo” surge em resposta aos problemas ambientais enfrentados na Amazônia, como queimadas e a seca dos rios, frequentemente causados pela ação humana. Ele destacou a importância de que as pessoas se reconheçam como parte integrante da natureza para evitar a degradação.
Inspiração nas tradições indígenas
O tema “Elo” é inspirado nos saberes dos povos indígenas e convida o público a refletir sobre a interdependência entre o homem e o meio ambiente. A proposta sugere que a degradação ambiental não afeta apenas a floresta, mas também a própria humanidade, que deve assumir seu papel na preservação do equilíbrio ecológico.
Alfaia detalhou que o espetáculo será estruturado em cinco atos, cada um abordando um aspecto dessa desconexão e a necessidade de reconexão com a natureza. O primeiro ato, denominado “elo primordial”, reforça que, apesar das adversidades, a vida persiste. O segundo, “elo da criação”, remete ao momento da origem de todas as coisas, enquanto o terceiro, “elo da harmonia”, ressalta a importância da sintonia entre humanos e natureza.
A jornada de reconexão
O quarto ato, “elo do amanhã”, destaca a capacidade de renovação da floresta, simbolizando a esperança de continuidade da vida. Por fim, o quinto ato, “elo da sabedoria”, homenageia os legados ancestrais, refletindo a importância do conhecimento dos povos da floresta.
Alfaia afirmou que, apesar da profundidade e reflexão propostas pelo tema, a abordagem é clara e objetiva, buscando fazer com que o público reconheça sua relação intrínseca com a natureza. Ele lembrou que, como afirmou Krenac, “o homem faz parte da natureza, apesar de ter deixado de se reconhecer”.
Conscientização e preservação ambiental
O espetáculo do Jaú não apenas homenageia a natureza, mas também visa conscientizar os espectadores sobre a crise ambiental que afeta as comunidades amazônicas. A mensagem central é a importância de restaurar o “Elo” perdido entre o homem e o meio ambiente.
Alfaia concluiu ressaltando que a compreensão de que somos parte da natureza é essencial para a preservação. Ele questionou: “O que eu posso fazer em relação a todas essas ações degradantes que acontecem na natureza?” O objetivo é reconstruir os vínculos que foram rompidos e promover uma nova consciência ambiental.







