A jogadora Tifanny Abreu, que atua pelo time de Osasco, está oficialmente impedida de competir em torneios femininos, após a Justiça do Rio de Janeiro rejeitar um pedido de liminar. A decisão, proferida pela 14ª Vara Cível da Capital, reafirma a restrição imposta pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) e marca a terceira vez que a Justiça decide a favor da confederação.
Decisão judicial e argumentos da atleta
A defesa de Tifanny argumentou que as mudanças nas regras de elegibilidade violaram direitos previamente garantidos à jogadora, como a segurança jurídica e a confiança legítima no exercício de sua profissão. Além disso, os advogados questionaram a falta de um período de transição e criticaram o uso do marcador genético SRY como critério para participação nos torneios.
Em um trecho da decisão, o juiz ressaltou que “a mera discordância da parte autora quanto ao resultado do julgamento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva, no Mandado de Garantia nº 002/2026, não constitui, por si só, fundamento suficiente para justificar a suspensão de seus efeitos”.
Histórico de liminares e impacto na carreira
Ainda em um desdobramento anterior, Tifanny havia conseguido uma liminar no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que lhe permitiu participar da Supercopa e da Superliga de Vôlei, competições organizadas pela CBV. No entanto, após a decisão do STJD, que manteve a exclusão da atleta, a autorização para sua participação foi revogada.
Essa reviravolta permitiu que Tifanny jogasse nas partidas contra o Praia Clube e a equipe de Brasília, mas logo após, ela foi barrada, refletindo a instabilidade em sua situação.
Novas diretrizes da CBV
Em agosto, a CBV estabeleceu que apenas atletas do sexo biológico feminino poderiam competir em torneios da categoria feminina, alinhando-se às diretrizes do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Vôlei (FIVB). Embora essas entidades não imponham a adoção dessas regras, a confederação brasileira optou por seguir as orientações técnicas do Movimento Olímpico.
Em comunicado, a CBV reafirmou seu compromisso com as decisões do Judiciário e com a dignidade de todas as atletas, enfatizando que sua Política de Elegibilidade é uma norma aplicável a todas os competidores, sem exceções.
A situação de Tifanny Abreu levanta importantes questões sobre inclusão e regulamentos no esporte, refletindo um debate mais amplo sobre a participação de atletas trans em competições femininas. A continuidade desse embate judicial pode moldar o futuro das competições de vôlei no Brasil.







