Na véspera do Dia de Finados, muitos manauenses dedicaram seu sábado à visita a cemitérios, buscando aliviar a saudade e honrar memórias de entes queridos que partiram. Entre flores, orações e cuidados com os túmulos, cada visita se transformou em um tributo repleto de amor e recordações.
Manutenção de laços e tradições familiares
Para muitos, essa prática vai além de uma simples visita; é uma forma de perpetuar o vínculo com os que faleceram, além de ser um costume passado de geração em geração. A enfermeira Gerlinda Pereira da Silva, por exemplo, esteve no cemitério São João Batista, acompanhada de sua irmã, para homenagear a mãe, que faleceu há dois meses devido a um câncer. Elas passaram a semana se dedicando à limpeza e à pintura do jazigo, que agora carrega um novo significado após a perda.
Gerlinda compartilhou seu sentimento: “O sentimento que eu tenho é de saudade. Saudade de não poder mais tocar, nem ver, nem cheirar, só de lembrar agora. Ficam as lembranças. Minha mãe era uma mulher cheia de vida. Sorridente e uma super mãe. Uma heroína. Ela ia fazer 80 anos.” Para a enfermeira, o ato de cuidar do túmulo é uma forma de expressar o carinho que sente pela mãe, que sempre a manteve próxima.
Memórias que se perpetuam
A estudante de pedagogia Antoniela Dacio Souza também esteve no cemitério, marcando a continuidade de uma tradição familiar. Desde a morte do irmão, quando ele tinha apenas três anos, ela frequenta o local. Neste sábado, pela primeira vez, trouxe sua filha de 7 anos, que desejava conhecer o túmulo do tio.
“Antes a gente sempre vinha com a nossa mãe. Ela que acostumou a gente a vir desde pequenos cuidar dos nossos entes queridos. Ela faleceu em novembro do ano passado e agora tô aqui com minha filha”, afirmou Antoniela. O desejo de sua filha de conhecer o tio, mesmo sem tê-lo conhecido, reforça a importância da memória familiar. Para ela, essa visita é uma forma de relembrar a mãe e imaginar a conexão entre os dois.
Ritual de fé e reflexão
As homenagens nos túmulos foram acompanhadas por celebrações religiosas, como a missa realizada na capela do Cemitério São João Batista. A professora Lena da Silves Chaves participou da cerimônia ao lado de seus familiares sepultados no local, mantendo a tradição que considera fundamental.
“A gente vem todos os anos. Já participamos das missas, e achamos importantíssimo! Fundamental, porque é um momento de acolhida que a igreja católica faz, um momento de gratidão a todas as pessoas que passaram pela vida dos seus familiares”, destacou Lena. Para ela, essa celebração representa a gratidão espiritual que se deve àqueles que contribuíram para a vida da família.
Em um dia marcado por saudade, recordações e fé, as visitas aos cemitérios de Manaus foram momentos de reencontro com histórias que, mesmo com a ausência física, permanecem vivas na memória e no coração dos que ficam.







